Testando o texto

Guto Maia*

29/08/2020 (Read in English)

Cabeça de músico.

O meu divorcio da música foi amigável. Depois de muita negociação. 

Foram exatos 60 anos de convivência, entre namoro, noivado e casamento (comecei a estudar piano clássico aos 7 anos).

Foi um casamento aberto (a música é infiel, rs), de muitos altos e baixos, muitas separações, idas e vindas, traições (a música é muito exigente), emoções alucinadas e filhos. Tive grandiosos mestres e grandes amores graças à música.

 

A vida de músico popular profissional nos faz conhecer o céu e o inferno. Quando jovem, conhece grandes viagens, festas alucinantes, bebedeiras, drogas, sexo, grupos, multidões, choros, muitos risos, gargalhadas, tentativas desesperadas de viver e morrer com pessoas maravilhosas e com outras nem tanto. Mas, uma vida apaixonada.

Com a idade, isso se acalma, e passa de fase, tornando-se geralmente mais comedido (nem todos!)Cabeça de músicoCabeça de músico

 

A cabeça de um músico é uma montanha russa. Mas, a maior parte do tempo, ele passa estudando solitariamente o seu instrumento. Às vezes, oito, dez horas por dia. Porém tudo se faz valer no prazer irresistível de estar no palco.

Foi uma vida inteira de relação amorosa conturbada, que se encerra de forma consensual e amistosa, sem rancores.

Penso com humor nos perrengues que a música proporcionou, quero escrever a respeito, deixando uma crítica consciente sobre o papel social do músico no Brasil, especialmente na velhice. Talvez, isso possa ajudar na escolhas profissionais dos jovens.

 

Quero aproveitar que a cabeça ainda funciona (meia boca, é claro!), e lembra muita coisa, para criar uma crônicas da vida vivida ao lado músicos e músicas brasileiras importantes, e suas realizações para a cultura brasileira.

 

As mãos ainda adestradas conseguem escrever os lembretes para o laptop (gosto de usar caneta no primeiro rascunho do texto); e me dou bem com a tecnologia em geral, assim posso testar e aprimorar os textos permanentemente. Isso tudo já é suficiente para me fazer bem feliz.

 

Quanto ao corpo, tão exigido na juventude, agora vai poder descansar mais, o que é um bem para todo mundo.

 

 

*Guto Maia - José Augusto Maia Baptista

Gestor educacional 

 


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