Qual Deus?

Guto Maia*

30/08/2020 (Read in English)

Vivemos uma falta de perspectivas claras em todos os níveis para a próxima década.

Mas, graças a isso, podemos exercitar a grande liberdade de raciocínio que o caos nos permite.

 

 

As doutrinas ideológicas, religiosas, filosóficas podem ser amarras rígidas, limitantes, mas também podem cair como luvas libertadoras nas atuais circunstâncias sociológicas, até construirmos uma nova utopia. Aí, passamos pelo conceito de Deus.

Pode ser sensato acreditar que temos um mínimo de possibilidade de transformação e capacidade de mobilização coletiva, com novas teorias adaptadas das anteriores já defasadas. O conhecimento teórico armazenado pela humanidade é muito grande e pode ser luz nessa caminhada, onde muitos usam o atalho de Deus.

 

 

Quando pensamos no ativismo pela causa da pessoa com deficiência e vulneráveis em geral, constatamos que a briga vai ser muito grande. A prática real das teorias aplicadas, se mostra ineficiente para sensibilização para essa causa. Então, teremos que construir argumentos muito sólidos para mobilizar uma conscientização gigante e convincente.

 

 

A arena política torna-se cada vez mais o espaço adequado onde podemos realmente interferir na construção de novas ações sociais, criando leis que favoreçam a população vulnerável, com deficiência, idosos; para sentirmo-nos verdadeiros protagonistas de mudanças. E muitos ainda se apegam a Deus.

 

Qual deus?Qual deus?A guerra dialética e ideológica será violenta. O convencimento da argumentação pelas palavras, mais do que qualquer coisa, é o fiel da balança numa disputa democrática. Até porque é o que nos resta, e é o que sobra para quem representa pessoas com transtornos mentais variados, físicos, sensoriais e comorbidades. Geralmente, essas pessoas não têm força nenhuma de atuação reivindicatória, se não tiverem quem as represente dignamente.

 

Diante de todo esse desalento, e graças à depressão coletiva, é muito duro constatar que muitos jovens saudáveis e até crianças, que sobreviveram à pior fase dessa pandemia mundial; preferiam ter morrido.

 

 

Enquanto, pessoas igualmente saudáveis, jovens e idosos cheios de alegria de viver não resistiram.

 

O que Deus gostaria de nos dizer a esse respeito? Se é que há uma explicação lógica.

 

O que precisaríamos fazer de joelhos para ter uma resposta convincente? Só aceitar? Que justiça divina é essa, que tortura, castiga e pune inocentes? Onde estará a resposta para essa desestrutura existencial mundial pela qual passamos?

 

Vivemos tempos inomináveis, onde todos os dias temos notícias estarrecedoras da conduta humana.

 

Mas, a maior parte do Brasil tem fé e acredita que Deus está no comando e resolverá tudo na hora certa.

 

Qual Deus? De que religião? Deus de quem?

 

O  Deus da Flordelis?

 

*Guto Maia - José Augusto Maia Baptista

Gestor educacional

 


 @deus

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