e, por falar em inclusão...

Guto Maia*

 16/02/2020 (Read in English)

 

A nossa família diminuiu dtamanho no convívio com a deficiência, criou protocolos particulares, construiu padrões próprios e vive um dia por vez. Todo casal com filho recém diagnosticado com algum tipo de deficiência, pode se preparar melhor para o futuro. Buscamos contar um pouco do que representa essa realidade vivida há 21 anos, idade do Pedro, autista, onde tudo pode mudar no minuto seguinte. É uma forma de desabafo diário de um "eu universal", que beneficia a todos que se veem nessa rotina.

 

E, sobretudo, é uma fonte de pesquisa permanente para quem quer saber um pouco mais sobre educação adaptada. É um estudo de caso imbricado com o social, onde todos se verão representados em algum momento, principalmente por causa das comorbidades. A quantidade delas é imensurável. Todas as deficiências, sejam de que nível forem, têm pontos em comum.

 

É a partir deles que começou a nossa pesquisa, desenvolvemos o nosso raciocínio e planejamos as ações. Este ensaio é revisado e atualizado regularmente, e o capítulo seguinte sempre guardará grandes emoções, especialmente para quem o escreve. Gratos por compartilhar conosco desta conexão! Esperamos que ela nos faça bem a todos numa troca sincera. E, estará sempre disponível.

 

Apresentamos uma reflexão de como a nossa experiência familiar e docente de cuidar, tratar e educar pessoas com habilidades incomuns e diversas se multiplicou e vem dando frutos. Queremos nos profissionalizar nessas atividades e colocamos aqui todos os nossos sonhos para ampliar o ativismo da causa da pessoa com deficiência, com a certeza plena de que isso ajudará a mudar o mundo nas próximas décadas, principalmente graças ao avanço da tecnologia assistiva em demanda adaptada, que favorecerá a todos, indistintamente, não temos dúvidas disso. A cada pessoa mudada o mundo mudará para melhor.

 

"Cidades que me dizem respeito" nasceu com foco no mercado de trabalho e no estudo de pessoas com algum tipo de deficiência. Estudo e trabalho fortalecem a autoestima, por isso, o principal foco dos nossos programas e encontros é estimular o nosso público a promover maior acessibilidade a todos, sejam quais forem as limitações e adaptações necessárias para isso.

Família Maia Baptista Rosengarten: Rossana, Pedro, Guto, Clarinha. SP/2020.Família Maia Baptista Rosengarten: Rossana, Pedro, Guto, Clarinha. SP/2020.

 

As nossas palestras se tornaram continuação das conversas iniciadas no "Encontro de Gerações", na cidade de Socorro/SP, em agosto/2016.

 

A convite do Memorial da Inclusão, o Pedro e eu,  passamos quatro dias debatendo com dezenas de lideranças de todas as partes do Brasil o futuro do protagonismo das pessoas com deficiências, num evento promovido pelas Secretarias Nacional, Estadual e Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência, Comitê Paralímpico, em sincronia com os preceitos da ONU e instituições parceiras. Hoje, contamos com a supervisão de especialistas convidados no planejamento e execução de todos os nossos eventos, visando o aperfeiçoamento de uma proposta colaborativa sociocultural sobre o universo adaptado,  sempre envolvendo educadores, pesquisadores, profissionais do direito, agentes públicos e particulares de saúde, familiares e todos os que têm interesse em saber mais sobre educação adaptada para o trabalho e para a vida, numa rede de aprendizado da qual todos nós necessitaremos sempre, numa troca de experiências e identificação de multiplicadores, investindo na construção coletiva que nos motiva e dá força. Precisamos de todos.

 

Os dilemas das famílias, a busca dos apoios, os desafios da luta contra a insensibilidade e incapacidade dos gestores públicos, são temas recorrentes.  Acessibilidade é uma pauta abrangente que não se esgotará nas próximas décadas. O Brasil terá 97 milhões de idosos em 2050; de uma população total estimada de 238 milhões. E o mundo terá cerca de 9,7 bilhões de habitantes com necessidades de acesso a bens básicos, como alimentação e água.

 

Dentro desse universo, cerca de 25% terão algum tipo de deficiência intelectual, física, sensorial e comorbidades.

Falamos de gente. O que estamos fazendo para planejar o bem estar dos nossos filhos e netos para os próximos 30 anos?

Esse tempo passa muito rápido.

 

Nos últimos anos, viemos aperfeiçoando o discurso, nos aproximando de consultores competentes, identificando lideranças conectadas, buscando simpatizantes alinhados com os propósitos do convívio qualificado de pessoas que necessitam adaptações para a sua vida cotidiana.

 

Agora que estamos com a nossa conexão em rede consolidada, e nos sentimos tecnicamente mais preparados, iniciaremos um trabalho vigoroso e consistente de disseminação de conteúdo relevante, construindo polos de estudo, pesquisa, atração de colaboradores, para que possamos trabalhar na formação de uma nova geração de cientistas voltados para a inclusão e acessibilidade em todos os níveis.

 

NOTAEste artigo foi criado em fevereiro de 2020, portanto antes da PANDEMIA. A partir de então, todos os nossos projetos foram adiados. 

Hoje, 16 de agosto de 2020, seis meses depois, retomamos aos poucos a nossa caminhada, depois de muita preocupação, uma imersão acadêmica integral, e uma longa reflexão sobre a condição humana, sobretudo, sobre a nossa condição de profissionais brasileiros da educação.

Agora, passado o susto (não os problemas) recomeçaremos a compartilhar as nossas conclusões e aflições. Foi importante essa parada*.

 

Abraços.

Guto Maia, gestor educacional,  professor pesquisador de ensino adaptado e coordenador de projetos socioeducativos. Cria conteúdos multiplataformas online e multimeios, como ativista da causa da pessoa com deficiência.Guto Maia, gestor educacional, professor pesquisador de ensino adaptado e coordenador de projetos socioeducativos. Cria conteúdos multiplataformas online e multimeios, como ativista da causa da pessoa com deficiência.

 

*Guto Maia - José Augusto Maia Baptista

Gestor educacional, professor pesquisador de ensino adaptado e coordenador de projetos socioeducativos. Ativista da causa da pessoa com deficiência, colunista da Revista Reação, consultor de inclusão em conselhos e associações, e criador de conteúdos multimeios interdisciplinares. 

 

 


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